A história do município de Pilar começa de forma humilde e mística no início do século XIX, conectada intrinsecamente ao desenvolvimento da cana-de-açúcar na antiga Província das Alagoas. Originalmente, o território fazia parte do complexo de sesmarias que abasteciam a região norte do estado.
Diz a rica herança oral que pescadores e operários dos engenhos encontraram uma imagem esculpida de Nossa Senhora do Pilar no nicho de um antigo pilar de sustentação de um galpão abandonado às margens da Lagoa Manguaba. O achado foi considerado um milagre, erguendo-se ali a primeira capela de taipa.
Com sua posição geográfica privilegiada, a povoação logo virou um entreposto comercial indispensável. Mercadorias vindas do interior pelas estradas de terra eram transferidas para barcaças e vapores que singravam a lagoa rumo ao porto de Jaraguá, em Maceió.
Pilar parou para receber a comitiva imperial. O monarca, impressionado com a beleza natural e a efervescência urbana da vila, hospedou-se na Casa da Câmara e Cadeia. Os bailes aristocráticos realizados na região marcaram o ápice social do município, que respirava o luxo do açúcar.
O município guarda uma das páginas mais dramáticas do judiciário brasileiro. O escravo Francisco foi condenado e executado em praça pública pelo assassinato de seus senhores. Este é considerado o último enforcamento oficial do Império, acelerando o debate pelo fim da pena de morte no país.
Nas últimas décadas do século XIX, Pilar ostentava companhias de navegação a vapor sofisticadas. Os imponentes barcos cortavam as águas da Manguaba transportando passageiros ilustres, tecidos europeus e pianos, consolidando a cidade como polo financeiro da época.
Nascido em Pilar em 1903, tornou-se um dos maiores intelectuais do país. Antropólogo e psiquiatra, foi o pioneiro absoluto no estudo científico da cultura e religiosidade afro-brasileira.
Embora nascido na capital, o iminente escritor sempre declarou o complexo lagunar de Pilar e arredores como a matriz poética e estética de suas principais obras literárias.
Líder espiritual e político do século XX, foi peça fundamental na preservação dos arquivos históricos da cidade e na defesa do patrimônio arquitetônico sacro.